Crime estarrecedor, porque a vítima não
tem voz para suplicar piedade e nem braços robustos com que se
confie aos movimentos da reação.
Referimo-nos ao aborto delituoso, em que pais inconscientes
determinam a morte dos próprios filhos, asfixiando-lhes a
existência, antes que possam sorrir para a bênção da luz.
Homens da Terra, e sobretudo vós, corações maternos chamados à
exaltação do amor e da vida, abstende-vos de semelhante ação
que vos desequilibra a alma e entenebrece o caminho!
Fugi do satânico propósito de sufocar os rebentos do próprio
seio, porque os anjos tenros que rechaçais são mensageiros da
Providência, assomantes no lar em vosso próprio socorro, e, se
não há legislação humana que vos assinale a torpitude do
infanticídio, nos recintos familiares ou na sombra da noite,
os olhos divinos de Nosso Pai vos contemplam do Céu,
chamando-vos, em silêncio, às provas do reajuste, a fim de que
se vos expurgue da consciência a falta indesculpável que
perpetrastes.
* * *
Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Religião dos Espíritos.
Ditado pelo Espírito Emmanuel.
14a edição. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2001.